Existe um lugar para onde se pode ir fechando os olhos. O mundo dos sonhos. Depende de nós criá-lo do jeito que quisermos. Somos mágicos nessas terras. Podemos fazer aparecer e desaparecer qualquer coisa, personagem ou paisagem. Igual ao céu, não há limite. Hoje, fechei os olhos e acordei de frente ao mar. Olhava as ondas, as espumas, a areia molhada e sentia o vento balançar-me o corpo todo. Abri os braços e comecei a voar. Cambalhotas no ar. Bom brincar no espaço do nada. Um nada mais real do que o tudo da realidade. E comecei a girar, feito bailarina, trapezista no céu. Dois pássaros se aproximaram e me fizeram cócegas. Lá embaixo a areia se transformou em gotas de cristais que rolaram para o mar, deixando-o cheio de estrelas. Quis descer, tocar a água, mas uma onda gigante roçou meus pés. Achei engraçado a água subir, ao invés de escorrer para baixo. Como pode? Peixinhos faziam a festa. Pulavam e faziam buracos na água, por onde se via uma vida de bichos e plantas de todas as cores e tamanhos. Senti frio. Uma nuvem me abraçou. No cair da tarde, o mar se retirou. Foi se afastando para o fundo do planeta e vi que tinha caído do outro lado, só para dar a volta ao mundo e reaparecer do lado de cá no nascer do sol. Abri os olhos e, surpresa, descobri que o mundo dos sonhos estava onde eu estava, dentro de mim.
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