Uma casa amarela para uma menina de nome Quimera.
Eis como a nossa história começa.
Por mais que tentassem, Quimera não era criança de viver confinada.
Tinha ideias próprias. Impróprias, talvez, para um mundo que parecia gritar ser proibido sonhar.
Quimera nunca se deixava alcançar. Um passo de aproximação em sua direção, e ela, tac tac, dois, a fugir.
Quimera nunca se deixava alcançar. Um passo de aproximação em sua direção, e ela, tac tac, dois, a fugir.
Não havia quem negasse, no entanto, que suas vontades eram genuínas e mal não faziam a ninguém.
Quem a conhecia a simplificava, dizendo: "ooohh, menina de personalidade".
Quimera, dentre tantos desejos, sonhava conhecer o mundo.
Tinha lido em alguns livros que em lugares não muito distantes pessoas viviam de forma bem diferente a da sua vida. Tinham outros costumes, outros valores.
Quimera ainda não sabia quase nada sobre costumes e valores, mas de curiosidade pelo desconhecido entendia bem.
Quando pela casa a contar que as crianças no Japão faziam origamis, teatros de marionetes, tomavam sorvetes de chá e comiam peixes crus, os adultos faziam que não ouviam seu entusiasmo.
Mesmo assim, Quimera não parava de sonhar com a existência de um mundo maior do que o de sua casa e família.
Quimera queria ser livre como os pássaros, mas sabia que uma criança é sempre alguém que necessita de pais e família por perto, por mais que seu espírito aventureiro de ganhar o mundo falasse alto.
Com papel, lápis e tesoura em mãos, foi construir uma casa amarela para nela viver o que anos mais tarde reviveria. Colou as paredes, chão e teto. Abriu uma porta para nela entrar e dela sair. E, por fim, rasgou uma janela, posicionada frente ao horizonte, para fazer das estrelas suas eternas cúmplices.
Mesmo assim, Quimera não parava de sonhar com a existência de um mundo maior do que o de sua casa e família.
Quimera queria ser livre como os pássaros, mas sabia que uma criança é sempre alguém que necessita de pais e família por perto, por mais que seu espírito aventureiro de ganhar o mundo falasse alto.
Com papel, lápis e tesoura em mãos, foi construir uma casa amarela para nela viver o que anos mais tarde reviveria. Colou as paredes, chão e teto. Abriu uma porta para nela entrar e dela sair. E, por fim, rasgou uma janela, posicionada frente ao horizonte, para fazer das estrelas suas eternas cúmplices.
Graças à casa amarela de Quimera, o deserto do Saara, a vaca sagrada da Índia, o cumprimento pelo nariz dos esquimós, as piramides do Egito, as vestes indígenas, as danças africanas, e tantas outras histórias surgiram.
Ao invés de catada pela vida, Quimera tornou-se uma catadora de vidas e fez da sua morada uma casa cheia.
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