As estrelas têm olhos voltados para frente, por isso não sabem que vivem na companhia de muitas delas. Acreditam serem seres solitários.
Em dias de lua cheia, há um lugar onde as estrelas se vêem todas refletidas na superfície de um grandioso lago.
Nessa hora percebem que são muitas e, mesmo sem entender o porquê, brilham mais intenso do que em todas as outras noites. A luz faz noite virar dia, ilumina mais do que a soma de raios de cada uma doada àquele extraordinário espetáculo.
O brilho intenso dessas estrelas que se encontraram no olho do espelho do lago e que agora se sabem irmãs, dá braços ao das duas luas, a que vaga no céu e a que boia n'água. Cantam todos o silêncio do mundo, que não lhes é indiferente.
Em outros lugares, estrelas-do-mar acordam e vão se juntar às estrelas-do-espelho, às estrelas-do-céu e às estrelas-apagadas. Fazem lembrar que onde quer que você viva ou para onde quer que você olhe, não está sozinho nunca.
Quando findas essas noites enluaradas, se as estrelas já não guardam a certeza de que são muitas, ao menos, lembram-se com desconfiança de que já foram e é por isso que, dia-após-dia, olham com olhos esperançosos para a única direção que podem, o lago, e alí esperam reviver os milagres dos dias de luas cheias.
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